Desocupados que passaram por aqui

terça-feira, junho 18, 2013

O populismo da Sony frente ao protecionismo da Microsoft



Essas últimas duas semanas tem sido bem badaladas nas interwebz, não acham?

Primeiro, os nerds entraram em êxtase com a E3 desse ano, e foi declarada aberta a guerra entre a Sony e a Microsoft (e a Nintendo preocupada em fazer Marios e Donkey Kongs).

E agora, o POVO brasileiro resolveu ir para às ruas reclamarem seus direitos.

E é assim que, depois de uma semana inteira fazendo piadas no twitter e facebook com ligações entre video games e protesto social, resolvi escrever esse belo texto misturando o meu vasto conhecimento de games, com meu pífio conhecimento de história que mantenho escondido no meu cérebro já fazem uns 5 anos...



Para os desavisados (ou os que estão cagando e andando para videogueimes) o que ocorreu na E3 desse ano foi o estopim de uma série de insatisfações crescentes com a indústria de games (tipo igual o que tá acontecendo com o preço do ônibus.. só que com menos tiro de borracha no olho). Tudo começou com o anúncio do novo console da MS: o Xbox One (a.k.a. Xone, a.k.a. Xbone).

Nome feio de lado, o que acabou trazendo o descontentamento dos nerds foi a revelação da política de DRM do aparelho, somado ao foco excessivo em recursos não voltados aos jogos e à necessidade de conexão com a internet 24/7. DRM, para quem não sabe, são medidas tomadas de forma a controlar o acesso a conteúdos digitais.

Trocando em miúdos, são maneiras de se permitir (ou não) o uso de um jogo (no caso).

No Xbone, a política adotada (num primeiro momento) foi de que ao comprar um jogo, este jogo estaria atrelado indefinidamente ao aparelho em que foi instalado primeiro, sem a possibilidade de troca. Dessa forma, o comércio de jogos usados, e até o empréstimo de jogos, se tornariam impossíveis, já que o jogo já teria tido seu uso liberado para uma máquina só, não podendo ser usado em mais nenhuma. E, caso alguém fosse usar um jogo usado, uma taxa seria cobrada, com o preço do jogo integral.

Isso causou o maior bafafá na rede mundial dos computadores. Em todo o mundo, nerds esbravejavam exigindo seus direitos de vender ou emprestar seus jogos da maneira que quisessem (e somando aos outros problemas mencionados).

Tudo bem que, mais tarde, a MS acabou se pronunciando, explicando melhor essas novas políticas... Mas, na verdade, pouco fizeram para consertar o estrago, já que a cada explicação o discurso muda, e mais de uma vez eles já se contradizeram...

De qualquer forma, o que está bem claro é que: independente de como for essa política, o fato é de que vai doer no bolso dos consumidores, e massagear a carteira das empresas.

E então chegou o dia 0 da E3, e logo em seu início veio a apresentação da MS.

Mesmo com os diversos games mostrados, e as belas tecnologias demonstradas, nada foi o suficiente para tirar o gosto ruim que ficou na boca das pessoas após as declarações anteriores. Apenas um milagre poderia salvar o Xone.

E então veio a apresentação da Sony no fim do dia... E o milagre não veio..


Ao invés disso, veio um trator carregando um monte de cocô de porco para enterrar a microssoft, o XboxOne, e toda a política de DRM e afins...

Após algumas apresentações xoxas, incluindo alguns deslizes, ao final da apresentação sobe ao palco Jack Tretton (CEO da Sony da America) fazer um apanhado geral do esperado Playstation 4... E lança a bomba, que resumindo seria algo do gênero:
"Sabe tudo isso que a Microssoft está fazendo que está deixando todos vocês putos? Então.. Aqui não vai ter nada disso!"

Só para ilustrar o sadismo da Sony, fiquem com esse vídeo OFICIAL, que pode ser traduzido como uma esfregada do saco cabeludo da sony na cara triste do Xbox...


OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHH!!

Basicamente a Sony levantou e disse que ela não se importava com todas essas baboseiras. Que o que ela se importava era com o consumidor, com os desenvolvedores independentes, com o fornecimento de conteúdo de qualidade e um bom custo/benefício de seus serviços online.

E os nerds vibraram, gritaram, clamaram por mais.. E Jack Tretton e seu PS4 emergiram da conferência como messias levando seu povo para a terra prometida da diversão eletrônica...

Mas...

Calma aí...

Tem algo errado nessa história toda...

Não parece estranho glorificar a Sony por NÃO NOS FERRAR?

Se for pensar por um lado empresa/consumidor, o objetivo de uma empresa é fornecer um serviço de qualidade para o consumidor, e se importar com a satisfação do mesmo.

É o MÍNIMO esperado que uma empresa tenha como foco o contentamento de quem compra seus produtos. Quando você compra um produto, você assim o faz por que ele de alguma forma vai te servir bem, que vai te satisfazer.

Digamos, que a alegria do consumidor é uma OBRIGAÇÃO de quem fornece um serviço.

Mas eis que aparece alguém, e se propõe a realizar essas expectativas, e se pinta como um herói salvador.

Sim.. a Sony nada mais está fazendo do que sua obrigação, o que é esperado dela, e está sendo ovacionada por isso.

Sabe o que isso me lembra? Populismo.


Me perdoem se eu errar o conceito, ou alguma coisa do gênero, mas sou engenheiro a 5 anos, não estudo história/geografia a 6, e mesmo antes disso eu era uma negação no assunto... Mas até onde eu lembro populismo era uma forma de governo, muito famosa aqui pela América Latina, em que basicamente o governante assume uma figura popular, de alguém que trabalha em função do povo, mesmo quando por trás dos panos eles estejam esfaqueando todos.

E, da mesma forma que a Sony está fazendo, fazem seus trabalhos OBRIGATÓRIOS (como, por exemplo, a manutenção de obras públicas e auxílio aos pobres - no caso do governo- , e liberdade de compra e direito de consumo - para o caso da empresa de video games) parecerem FAVORES!

Eles pegam algo que é exigido deles "por contrato", fazem, e nos fazem agradecer por terem feito.

Isso não faz sentido!

E isso funciona principalmente por que esse tipo de prática geralmente segue algo pior, como, por exemplo: o protecionismo.

De novo, devo dizer que o máximo que lembro de história econômica é o estabelecimento do Pró-alcool... E isso só por que eu vejo sobre ele todo dia no meu trabalho... Mas continuem comigo...

Geralmente (até onde eu ACHO que sei) o protecionismo econômico entra em cena depois de alguma crise econômica, e é quase que uma focalização total de esforços para estimular a economia. Basicamente o mais importante passa a ser se assegurar de que haja dinheiro correndo no mercado. Danem-se condições trabalhistas, distribuição de renda, e etc. O importante é ter dinheiro no meio.

E geralmente esse tipo de política não é bem aceita pelo "povão", que se indigna, se revolta, e exige melhorias. Eis que surge um governo populista, fazendo o que deveria fazer desde o começo, e passa a ser considerado um "pai dos pobres".


No caso videogueimístico, o XboxOne surgiu como uma medida protecionista da indústria de games. Distribuidoras e desenvolvedores estavam sofrendo com "perdas enormes" de dinheiro.. Jogos vendem MILHÕÕÕÕES mas mesmo assim não compensam os gastos astronômicos, tornando-se desastres econômicos. E o comércio de jogos usados e a pirataria prejudicam cada vez mais os pobres produtores.

Então a Microsoft resolve atender os peixes grandes, tomando medidas que ajudam a protegê-los. Nada mais de pirataria, jogos usados... E de quebra fornecedores de internet saem ganhando por serem contratados para garantir que as pessoas tenham o acesso requerido para utilizar seu console.

Mas os consumidores não gostam. ELES que vão comprar os jogos. ELES que vão gastar dinheiro pra sustentar os peixes grandes. E ELES que não vão ter o direito de usufruir decentemente de algo que ELES compraram?

Aí chega a Sony populista, resolve deixar tudo como está, e de repente, por comparação, eles se tornam benfeitores... O.. "pai dos nerds".

Não estou dizendo que uma está certa, e a outra errada.. Só estou dizendo que talvez seja meio cedo (e incerto) demais decidir crucificar uma e glorificar a outra.

Ás vezes a única diferença é que uma roubaria na cara dura e deixaria claro estar roubando, enquanto a outra roubaria por trás dos panos enquanto finge ajudar os outros.


Tenham um bom dia!

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