Desocupados que passaram por aqui

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

A ficção está ferrando com nossas cabeças


Sejamos honestos: nada agrada mais do que uma boa história.

Do tipo que te mantém entretido, tenso, ao mesmo tempo esperando pela conclusão e temendo que chegue ao fim.

Histórias que servem para dar assas à nossa imaginação, nos levar a mundos que desconhecemos, ou as vezes até a mostrar um lado do nosso próprio mundo que não sabíamos que existia.

Nada melhor que esquecer da monotonia da vida cotidiana e se afundar em grandes aventuras, viver grandes amores, e aprender importantes lições.

Que bem que a ficção nos faz, não é?

NÃO!

A ficção nada mais é que um lobo em pele de cordeiro, lhe mostrando uma cara meiga, chamando-o para se aproximar, e então enfiando as afiadas presas em seu pescoço. Presas essas que recebem um nome especial: expectativa.



É.. Expectativa.

Por que, afinal, de que serve a ficção se não como uma válvula de escape.

Está estressado do trabalho? Leia um livro para tirar sua cabeça dos problemas e se imaginar na vida de um personagem com mais sorte que você.

Acabou seu namoro? Que tal assistir um belo filme romântico, e imaginar que por um momento você poderia fazer parte daquele casal que vive feliz para sempre?

Está triste por que não se acha especial? Seria uma boa então se afundar em um jogo em que você é a única esperança do universo.

A ficção nos apresenta um mundo divertido, um universo interessante. E assim nós paramos e prestamos atenção à nossa realidade e comparamos um com o outro e pensamos: "EPA! Seria muito mais legal se minha vida fosse assim! POR QUE MINHA VIDA NÃO PODE SER ASSIM!"


O que mais ferra a cabeça das pessoas com certeza deve ser os romances.

Uma infinidade de casais vivendo o marasmo de um relacionamento longo que caiu na rotina. Vários exemplos de amores que passaram de um incêndio para uma lanterninha de bolso.

Mas eis que aparece no horizonte a história de um casal que vive feliz todos seus dias. Onde um termina a frase do outro, todas as tarefas de casa são feitas com a maior sincronia, e o amor entre os dois é ainda maior do que do dia em que se conheceram.

Ah que horror... Ver tanta felicidade na sua frente e apenas se perguntar se um dia você irá retornar a essa afinidade.

"Por que você não é tão graciosa assim, muié?"
"Por que você não tem mais essa paixão, seu velho?"

E isso supondo que as vítimas em questão sejam um casal.

Pior ainda se a pobre alma for um solteiro (ou um encalhado, de repente).

Por que, ao invés de ansiar por um relacionamento melhor, o pobre coitado anseia por um QUALQUER relacionamento.

"Ai.. Será que um dia aquele gatenho vai se revelar apaixonado por mim e prometer uma eternidade de amor"
"Poxa... Será que se eu fizer uma surpresa pra ela antes de ela ir embora ela desiste de tudo e foge comigo?"

E então as pessoas vão criando expectativas. Expectativa de que seu relacionamento melhore. Expectativa de que um príncipe encantado venha ao seu encontro. Expectativa de que você um dia vai criar coragem para fazer um discurso sobre o por que de vocês terem que ficar juntos.

Sei lá.. Essas coisas funcionam nos filmes.... Mas ainda estou pra ver funcionar um homem entrando na igreja na hora do "Fale agora ou cale-se para sempre"...

Mas não só o drama de um amor que nos cria ilusões.


Até a comédia dá uma bagunçada no nosso cérebro.

Por exemplo: lá entrou você na faculdade. Vai se mudar, morar sozinho, sem supervisão, sem regras.

A primeira coisa que passa na sua cabeça é "Véi.. Vou viver um American Pie!"

Mas ao invés de sua vida ser regada a festas loucas, alcool e sexo, o que te aguarda é uma avalanche de miojo no microondas, pilhas de bagunça em cima da sua cama, ressacas e uma menina que fincou as garras em você e não te deixa sair com os amigos.

Ou então você vê um seriado onde um grupo de amigos de longa data vivem juntos, saem juntos, se divertem juntos 24/7/365, sempre a base de risadas e piadas certeiras. Mas toda vez que você sai com seus amigos (o que acaba virando uma vez a cada 3 semanas) tudo o que vocês conseguem fazer é beliscar os petiscos do bar, descascar a embalagem da cerveja e reclamar da correria do dia a dia. E de vez em quando lembrar uma piada que você viu uma vez num programa de TV lá em 1997.

Tá.. Sua vida não é tão comédia assim.


Ou então lá está o jovem você, recém chegado numa nova cidade, sem amigos, sem conhecidos, introvertido demais para se aproximar das pessoas, sem-jeito demais para tentar algo novo.

Quão mais fácil seria se, assim como na ficção, você se descobrisse especial, e todos de repente soubessem quem é você, e quisessem ser seus amigos, falar com você, te admirar?

Sempre a ficção vai estar lá, para te lembrar de como seria mais legal se ela não fosse ficção. Se ela fosse real...

Mas.. Sabe qual o tipo de ficção que mais me deixa desgraçado da minha cabeça?

A ficção científica.

Por que, diferente de coisas mais impossíveis, tipo magos, espíritos, poderes, amor e amigos, o sci-fi lida com coisas mais do futuro, algo mais "palpável".


Tá.. Pode parecer ridículo fazer viagens espaciais, encontrar alienígenas, construir robôs...
Mas E SE um dia isso tudo for possível? Vai saber se no futuro tudo isso aí não acontece?
Imagina só, daqui uns 20 anos a gente andando por aí com skates voadores e usando tênis que se amarram sozinhos.

E por causa dessa desgraça de "poxa.. não tem agora... mas bem que pode ter pra frente" que eu começo a ficar louco.

Que droga.. Nasci cedo demais...


Tenham um bom dia!

2 comentários:

  1. Eu sou imune a isso... Eu e a minha namorada bissexual ruiva asiática do futuro que na verdade é a reencarnação da Zoey Deschanel só que ruiva e asiática.

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  2. Acho q até faz menos que um mês que apareci aqui a última vez... só pra vc não falar q meninas não entram aki!... Bobão!! :P

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