Desocupados que passaram por aqui

terça-feira, janeiro 24, 2012

As aventuras de Cão no mundo da música


Dois textos seguidos no estilo "As aventuras de Cão..."?

Será que estou ficando sem criatividade?

Me dá um tempo também, né... O blog é meu, então nada menos estranho do que falar sobre mim. E também por que gosto mais de escrever textos assim.

Então hoje queria lhes contar algo que sempre menciono aqui, e sempre tive vontade de me aprofundar mais no assunto: minha vida como um músico.



Voltemos então para o início desse século (percebem como todos vocês estão ficando velhos?), quando os tempos eram mais simples e os maias não tinham decidido acabar com o mundo ainda. Naquela época meu irmão havia decidido parar com o pagode e começar a ouvir rock, e como quase tudo na minha vida, acabei sendo influenciado por ele.

Dessa maneira fui sendo introduzido (ui) no mundo da música (como vocês devem se lembrar, até uma certa idade eu nem ligava pra música direito) e comecei a me interessar mais pelo o que passava pelos meus tímpanos.

Enquanto isso, meu irmão continuou evoluindo musicalmente e decidiu que era hora de ele contribuir também para esse universo. Munido de um violãozinho Tonante xexelento e algumas revistas de cifras (ainda existem essas coisas?) ele foi aprendendo sozinho o be-a-bá do instrumento. De quebra ele ia tentando me ensinar alguma coisa, mas eu era um desastre total e não conseguia tocar nem "Come as you are".


Conforme ele foi melhorando surgiu a necessidade de dar um upgrade, e logo o menino queria que queria uma guitarra. Minha mãe fez um acordo com ele: Se ele aprendesse a tocar "Stairway to heaven" ela compraria a guitarra dele. Nunca vi o menino tão empenhado em algo. Claro que ele ganhou o presente, e de algum modo ele acabou me convencendo a pedir um baixo pra velha também.

Assim começou meu aprendizado musical: tocando baixo. Não que eu tocasse muito. O que eu fazia era tocar uma base bem simples pro meu irmão conseguir acompanhar com a guitarra. Mas com o tempo eu fui melhorando e tomando gosto pela coisa.

O tempo passou, e na nossa fase "punk" meu irmão acabou entrando em uma banda (tocando baixo) com dois outros amigos nossos. Só havia um problema: a banda eram dois guitarristas e um baixista... Estava faltando algo... Não que isso os impedisse de continuar ensaiando e até compor uma ou outra música (detalhe engraçado: uma das músicas chamava "Sobremesa surrealista 40 segundos"...é..).


Após meditar um pouco decidi confessar pro meu irmão que eu tinha vontade de aprender a tocar bateria. No ato ele ligou para os integrantes da banda banda dele e no dia seguinte os 3 foram me matricular em um curso de bateria... E na semana seguinte (após apenas uma só aula) já fomos para um estúdio ensaiar... Foi um desastre, claro...

Falando nisso, o nome dessa minha primeira banda era Razia... Que nenhum de nós sabia o que significava...

Um tempo depois desse ensaio chumbrega, e conforme eu fui melhorando na arte de bater em tambores com dois pedaços de pau (felizmente eu tive mais facilidade em aprender isso do que guitarra) papai e mamãe decidiram comprar uma bateria pra mim. Isso envolveu meu pai chegando em casa e pedindo pra eu buscar algo no carro, e quando eu fui ver lá estava uma bateria inteira esperando para ser montada e tocada... E eu me emocionei sim...


Ah.. Esqueci um pequeno detalhe... Eu morava em um apartamento..

Hum... Bateria... Em um apartamento.. Num prédio... Onde metade dos moradores eram velhos chatos...
Não ia dar muito certo, não é verdade?

Felizmente, minha tia morava no quarteirão ao lado, em uma casa com uma daquelas garagens típicas que a gente vê em filme americano os moleques tocando... Sabe? Assim quase toda semana tinha reunião da banda na garagem da minha tia, e fazíamos um "show" pras pessoas que passavam na rua e tentavam ver o que aquele bando de jovens rufiões estava fazendo.

Chegou um dia porém, que a banda terminou, sem nem ao menos sairmos da garagem...


Meu irmão continuou passando de banda em banda, mas geralmente não passava de alguns ensaios. Enquanto isso eu me dediquei apenas aos estudos (?) e fiquei sem tocar mesmo.

Então o filho mais velho dos meus pais (o que eu não faço pra não repetir palavras) entrou numa banda (chamada Volkov) com uns amigos nossos da escola, e dessa vez parecia que ia pra frente... E eles só não já tinham baterista, como ele também me humilhava, me destruía, limpava o chão com a minha bunda e depois ainda me pendurava na janela pra secar.


A banda então foi indo bem, eles ensaiavam frequentemente, tentavam compor algumas músicas, pegavam menininhas falando que estavam em uma banda... Então por algum motivo obscuro o baterista resolveu sair, e  coube a mim substituí-lo. Pouca pressão, né?

Pra "ajudar", praticamente um mês depois de eu entrar na banda marcaram um show pra gente.
UM SHOW! Justo eu, uma das pessoas mais tímidas do mundo e que ainda tinha medo de palco!

Mas agora não dava pra voltar atrás. Era tudo ou nada, e assim fomos nos preparando... Até que chegou o dia.

É claro que já acordei super nervoso, tremia pra qualquer coisa, e ainda fechei a porta do carro no dedo e achei que não ia conseguir tocar... E chegou a hora de ir pro show.

Não sei se todos vocês conhecem os "inferninhos" onde fazem show de bandas underground. Geralmente são lugares pequenos, quase um porão, onde enfiam uma galera, ligam uns amplificadores e botam os moleques pra tocar, e a galera começa a pular e se bater. Ó uma foto:


Nesse tipo de show tocam várias bandas, geralmente umas 7 e no final uma banda mais "famosa". No caso do nosso show, que foi em um domingo, eram apenas bandas desconhecidas mesmo, mas acabou que nossa banda ia ser a que ia fechar o show (mais pressão).


Mas isso acabou sendo bom até. Como teve várias bandas tocando antes da gente (incluindo a banda de amigos nossos) acabei me soltando um pouco mais, perdendo o nervosismo, e até me enturmando com a platéia... Nada une mais as pessoas do que uma roda de bate-cabeça... Desse jeito, quando chegou a hora de a gente tocar eu já estava calmo, e acabou que tocamos bem, o pessoal curtiu bastante (apesar de que pelo menos 40% das pessoas lá eram amigos nossos) e acabei decidindo que eu não tenho tanto medo assim de palco.

Então assim começou nossa onda de shows, onde abrimos pra algumas bandas mais conhecidas, como Cueio Limão, Glória, e até Nx Zero (antes de eles ficarem famosos que nem agora), e inclusive fizemos shows em outras cidades (o que não conta muito, já que é tudo parte da "Grande São Paulo", mas pelo menos conseguimos alugar e lotar um busão pra ir pro show). E até teve um show nosso que teve que ser cancelado por que eu fiquei com caxumba...

E, por incrível que pareça, conseguimos até alguns "fãs" (poucas coisas superam você ver pessoas que você nem conhece falando bem da sua banda) e gravamos uns 2 CDs (beeeem porquinhos, sendo que em um deles o vocalista até tava com a garganta inflamada e não conseguia cantar direito.


Foi uma das melhores épocas da minha vida (sério). Ensaios quase todas as semanas. Compor músicas. Tocar em shows e vendo pessoas gostando dessas músicas que você ajudou a fazer. Fazer amizades novas graças a banda...

Mas o tempo foi passando, e decidimos que precisávamos evoluir musicalmente. Resolvemos levar a banda mais a sério, e começamos a refazer as músicas, deixá-las mais bem trabalhadas, e até começamos a juntar um dinheiro pra gravar um CD mais profissional e tentar ir para a frente com a banda.

Infelizmente, jovens estudantes de 15~18 anos não conseguem levar algo muito a sério, e todo o trabalho envolvido em melhorar a banda acabou desencorajando a gente, e simplesmente chegou um dia onde a gente parou de marcar ensaios, cada um foi pro seu lado, e a banda acabou.

Meu irmão continuou indo de banda em banda, mas acabou decidindo ficar nos bastidores da música (por isso que ele foi pra NY estudar) e eu acabei entrando em uma banda com um amigo, mas que não vingou e só durou uns 3 ensaios.

MAS ISSO NÃO SERÁ O FIM!!
Um dia eu ainda vou encontrar uma nova banda, nem que seja só eu e meu irmão gravando todos os instrumentos em casa..

Ah... Temos um estudiozinho aqui em casa..


Tenham um bom dia!

Obs: eu perdi quase todas as fotos que eu tinha dessa época, então pra ilustrar o texto inteiro usei os flyers de meus shows... obrigado pela compreensão

Obs2: graças a banda hoje eu tenho um blog. Na época eu que cuidava do flogão (lembra?!?!) da banda, e assim comecei a adquirir gosto

4 comentários:

  1. boa pançudo!!
    Eu ainda sigo o seu blog...
    sou seu fã...não tenho como negar.

    E pode anotar ai, qndo eu voltar a gnt vai gravar o CD do VolkoV.
    ps. eu não entrei no volkov...eu e o Tuilo q fizemos a banda...dãã

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  2. oh..desculpa aí, senhor fundador..
    ehehe

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  3. caramba!Você já tinha dito que participou de uma banda mais não sabia que tinha chegado a um ponto tão avançado.

    bem legal!
    eu particularmente não sei nada sobre música e acho que não conseguiria tirar uma nota nem de um triangulo.

    agora eu posso sair contando pros meus conhecidos que tenho um colega que toca numa banda que encerrou um evento!(embora eu nunca nem tenha te visto pessoalmente mas eles não precisam saber disso hauhauhau)

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  4. Wait, tu gostou de Uncharted 3!?

    Son...Imma dissapoint...

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