Desocupados que passaram por aqui

terça-feira, dezembro 06, 2011

Doctor Who: Wibly wobly, timey wimey


Se, nos últimos dois meses, mesmo eu não estando ocupado com as aulas e trabalho, eu fiquei sem postar textos aqui, a culpa é dessa série.

Não foi falta de tempo. Nem falta de criatividade (convenhamos, sou muito produtivo).

Acontece que cada horinha que eu tinha livre eu me via obrigado a assistir pelo menos mais um episódio dessa série. E as vezes eu ia dormir 5 horas da manhã por que eu não conseguia parar de assistir (tudo culpa da Sayonara!)

E aí você pára e vem me perguntar se essa série é boa.. Esse... Quem mesmo?


QUEM é o "Doutor"?



Viajemos então para o velho continente, a terra de rainhas, nobres, chá e críquete. E nesse belo país chamado Inglaterra nos depararemos com uma série de TV que já soma mais de 30 temporadas (batendo o recorde de "Malhação").

No ar desde 1963 a história segue um alienígena humanoide que atende pelo nome de "Doctor", que por acaso é um Senhor do Tempo, e como tal possui uma nave capaz de viajar no espaço e tempo. E como qualquer um faria nessa situação ele decide pegar algum ajudante (geralmente mulheres humanas) e viaja pelos confins do universo e pelos limites do tempo, pelo o simples fato de "Claro, e por que não?"

Eu não faria diferente.


Mas é claro que sempre alguma coisa dá errado, e aonde quer que o Doutor e sua companhia vão, sempre haverá algum perigo, alguma raça alienígena planejando destruir a existência ou pelo menos só algum fato histórico que cisma em tomar um rumo diferente do que deveria. Então cabe ao Senhor do Tempo resolver os problemas armado apenas com sua brilhante mente... E uma chave de fenda (sônica).

A premissa da série é simples, e permite que praticamente de tudo aconteça. Durante 26 anos a série basicamente educou gerações de cidadãos britânicos, além de ao longo de todo esse tempo ela ter contado com roteiros de grandes nomes, como Douglas Adams (que se você não sabe quem é, você merece cair num vórtice temporal).


Mas chegou um triste momento que a série entrou em uma pausa, e só foi voltar anos depois, em 2005. E é aqui que o artigo começa de verdade.

Apesar da minha fissura pela série, me senti ligeiramente contrário à ir atrás de 26 temporadas. Mas nada eu tinha a temer, pois essa nova temporada marcou um "recomeço" para a série. Mesmo sem jogar fora os anos e anos de continuidade, os produtores resolveram dar uma nova cara ao show, além de reapresentar tanto a história do Doctor quanto os seus principais inimigos. Desse jeito, essa nova temporada, ao invés de ser uma 27ª, ela muito bem serviu como uma primeira temporada, aproveitando um personagem icônico e reapresentando-o ao mundo que o tinha esquecido.

"Mas, Canino, depois de 30 anos de programa como fizeram para manter o Doctor? Ele deve estar.. Meio velho, não?"

Aí que entra o diferencial dessa série: trocas de personagens principais. Calma que eu explico.


Através de uma bela jogada, os criadores da série bolaram um jeito de contornar a saída de atores e coisas como essa. O Doctor, dadas certas circunstâncias (não falarei quais, senão pode ser spoiler) consegue se regenerar. Entretanto essa regeneração é completa, e o Doctor troca de corpo, personalidade, apenas mantendo as memórias. Desse modo, mesmo que o ator principal queira sair da série, os produtores podem continuá-la. Atualmente, contando com as 26 temporadas antigas, já estão no 11º Doc.

Então você faz um cara feia, dá dois passos para trás e cospe pro lado pra espantar o mal, já que essa é uma grande jogada para criar uma série infinita que nunca terá um fim.É, eu sei. Também me senti assim. Mas analisemos por outro lado.


Mesmo prolongando indefinidamente a vida do show, essa troca cria uma coisa que eu acho muito interessante: variedade. Toda vez que mudam o personagem principal, a série muda brutalmente (claro, mantendo o espírito). Mudam o estilo do Doutor, mudam o foco da história, mudam os perigos, mudam os parceiros dele. É como se cada Doctor tivesse sua própria série, independente dos outros, mas seguindo o mesmo estilo.

Isso dá uma revitalizada. Tudo bem que você pode ficar triste quando trocam um Doctor que você já se acostumou por um novo, mas mesmo assim você continua assistindo para ver qual o novo rumo que a história vai tomar, e como esse novo personagem vai se comportar.


Avaliação: "Trust me. I'm the Doctor!"

É sério. Fazia tempo que eu não me divertia tanto assistindo alguma coisa. Claro, há sempre o humor de Arrested Development ou a tensão de The Walking Dead, mas Doctor Who consegue misturar todo tipo de episódio. Há o sempre divertido humor britânico, há uma dose de baboseiras sci-fi, há episódio de puro suspense que deixariam muitos diretores de filmes de terror no chinelo, e há uma boa quantidade de momentos em que você vai se emocionar e (quem sabe) uma lágrima cairá de seus olhos.

Assista a primeira temporada de 2005, e não se deixe enganar pelos efeitos toscos (naquela época os produtores não tinham dinheiro o suficiente). Ao fim da primeira temporada, assista a segunda, se apaixone pelo David Tennant e na terceira temporada torne-se um grande viciado. Só para, na quinta temporada você ser massacrado pelos roteiros de Steven Moffat (que escreve também a maravilhosa série "Sherlock", sobre a qual eu falarei um dia aqui).


E ainda sonho em um dia juntar mais 10 amigos para ir numa festa a fantasia, todos vestidos com as diversas versões do Doctor.

E é claro que vou vestido do 10º.


Tenham um bom dia!

5 comentários:

  1. eu iria de 11th! bow ties are cool. fezzes are cool.


    inveja dos britânicos que cresceram com DW...

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  2. Droga, eu queria ir de 10º.
    Ok, o 9º pra mim...

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  3. é que eu tenho um terno igualzinho o do Tennant..

    mas pelo menos o 9º é o mais fácil de copiar...

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  4. Adorei o post, só quem dá uma chance sabe como a série pode ser viciante, por piores que os efeitos sejam. Inveja dos britânicos que cresceram com DW...[2]

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