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segunda-feira, agosto 22, 2011

As aventuras de Cão no incrível mundo dos laboratórios


Fala a verdade: quem nunca ficou fascinado em entrar em um laboratório e fazer os mais variados tipos de experiências?

É um sonho de criança, nutrido por tardes inteiras assistindo episódios de “O Mundo de Beakman” e cultivado pelo fascínio que “O laboratório de Dexter” causava.

Todos já nos imaginamos misturando um líquido azul, com um vermelho, e sair uma fumacinha indicando que tudo deu certo.

Acontece que eu agora faço faculdade (com uma boa grade de química), e já tive minha cota de aulas práticas em laboratório. E, por experiência própria: se alguma fumacinha começar a sair da sua mistura, CORRA!



Logo na minha primeira aula de laboratório de química eu já me ferrei.

É meio que de conhecimento geral que esse tipo de ambiente precisa de equipamentos de segurança individual. Jaleco, luvas e óculos, para os leigos.

Eu, como bom calouro, já havia encomendado o jaleco na lojinha da minha faculdade com 2 semanas de antecedência. Mas, como o universo curti me dar uma zoada, a encomenda não chegou a tempo, e eu tive que chegar atrasado NA PRIMEIRA AULA por que estava caçando um jaleco para usar (e era uns 10 números menor do que eu uso).

Resultado: cheguei na sala e todos os grupos já haviam sido formados, e tive que fazer sozinho.


Muito triste isso.

Pois bem, o semestre terminou sem mais aventuras (tirando um professor chileno inteligível, e eu entregando um relatório guardado no bolso) e logo já estava indo pra minha seguda matéria de química prática. Acho que era de química inorgânica.


Em um dos experimentos o objetivo era sintetizar aspirina. Tarefa simples. Adiciona um reagente, meche, adiciona outro, esquenta, esfria, filtra... Simples.

Mas um dos reagentes era algo chamado de anidrido acético. Você não precisa saber o que é especificamente, mas apenas que esse negócio tem cheiro de vinagre. Só que mais forte. E também que o cheiro de vinagre é uma das únicas coisas que consegue me deixar enjoado (e isso vindo do cara que comeu danoninho com catchup!).


E como se não bastasse o fedor que impregnava o recinto, uma amiga minha pediu minha ajuda para adicionar os reagentes. Tudo que eu tinha que fazer era segurar o frasco pra ela. Acontece que, quando ela adicionou um “caralhésimo”(termo técnico para quantidade pequena de amostra de um material) do maledeto do anidrido, formou uma nuvem de “vinagre” que foi prontamente aspirada por esse idiota que vos fala.



Tirando o fato de que eu quase vomitei, e que fiquei sentindo cheiro e gosto de vinagre uma semana inteira, saí quase ileso.

E sabe o que é pior? Minha aspirina ficou horrível (a aparência... Fiquem calmos que eu não experimentei ela). O que era pra ser um pó branco, virou uma pasta cinza.

E olha que esse não foi o experimento mais errado que eu fiz.


Já em outra matéria, nos era esperado que sintetizassemos eu sei lá o que. Nem lembro. O importante aqui era que em certa parte do experimento, era pra esquentar uma solução transparente.

E se você prestar atenção nessa foto (tirada desse experimento) você notará que a solução está ROSA!

COMO ALGUMA COISA QUE ERA PRA SER TRANSPARENTE FICA ROSA?!?

Esse mistério intrigou até os professores, que fizeram fila para ver nossa obra-de-arte (os experimentos eram em dupla) e discutir o que diabos tinha acontecido. Na dúvida, culpem o permanganato (que nem foi usado).


E nessa mesma matéria, experimento diferente, fomos incubidos de fazer polímeros.


Explicando bem porcamente, reações de polímeros são as mais simples do mundo. Mais simples que um vulcão de vinagre e bicarbonato. Só tem que misturar os reagente, mecher, e as vezes esquentar.

E aí foi o problema. Esquentar.

Manja um bico de Bünsen?

Esse aí.

Então. Tudo que eu, e minha dupla (o mesmo cara que eu sempre menciono nos textos de zumbis) tínhamos que fazer era colocar o reagente num tubo de ensaio e levar ao fogo por uns 5 minutos.

Esperando passar esses 5 minutos, começamos a papear (provavelmente sobre zumbis) quando percebemos algo estranho no nosso tubo de ensaio.


Ele estava cuspindo fogo.

TIPO UM DRAGÃO!


Mas você acha que isso nos espanta? Nunca!

Nossa reação foi:
Eu (com calma):”Cara. O tubo de ensaio tá pegando fogo...”
Amigo (olhando para o tubo com uma calma gandhiana):”Pois é, cara...”

E pra variar, o que era pra ficar vermelho ficou preto. Conforme o planejado...


Deu pra perceber que essa matéria não foi boa. E isso por que nem falei ainda das quebras de materiais.


99% do material usado em um laboratório é de vidro. E vidro adora ser quebrado dos jeitos mais diversos.

O jeito mais simples que eu quebrei algo foi um bunchner (não precisa saber o que é), que eu derrubei por que esbarrei enquanto limpava a bancada.


O mais idiota foi quebrar um balão volumétrico. “Idiota” por que estávamos montando o sistema de destilação, que simplesmente é um monte de peça de vidro uma encostada na outra sem nada pra segurar. É uma tarefa hercúlea. Decidimos montar tudo na horizontal, e só depois erguer e deixar na vertical.

Seria uma boa ideía, se houve algo segurando os balões, que caíram, quicaram no chão, e se transformaram em um milhão de pedacinhos.


E teve um jeito EXTREME HARDCORE de quebrar uma vidraria.


Para secar o material era usado ar comprimido. Era só direcionar o jato de ar (que não era ar, mas beleza) e secar tudo.

Mas secar tubos de ensaio sempre foi um saco. A mangueira não cabia no tubo e era muito dificil alcançar o fundo. Meu professor então ensinou uma técnica: prender uma pipeta pasteur (um “conta-gotas” bem comprido e pontudo) na mangueira pra afunilar o jato de ar.

Macaco vê, macaco faz.

O problema é que os professores não usam luvas. Já eu usava sim. Uma de nitrila, que nada mais é do que um “plástico” bem fino. E, geralmente fino=liso.

Então imaginem eu segurando a pipeta (já ligada na mangueira) em uma mão enquanto abria “só um pouquinho demais” a válvula de gás. E agora adicionem uma luva sem o menor atrito para conseguir segurar vidro. A imagem que fica é uma pipeta sendo atirada à velocidade de tiro na parede e se despedaçando.



E todos esses materiais foram tudo na mesma matéria. E, pra finalizar com chave de ouro, ao fim do semestre é necessário fazer um levantamento das vidrarias do grupo, e pagar as quebradas.

E é uma ótima experiência para a vida levar um recibo de 120 reais pro banco e ver o atendente rindo da sua cara por saber que todo esse dinheiro foi em coisas quebradas...



Oh yeah!



E o melhor que ainda tenho muitas aulas de laboratório pela frente.

Já sabem então: em breve, uma parte 2!


Tenham um bom dia, usem jaleco, calça comprida e sapatos fechados!

6 comentários:

  1. embora eu não tenha intendido quase nada que você falou,foi um dos seus textos mais divertidos!!

    rialto quando vc falou do tubo de ensaio peando fogo

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  2. uhahuahuauhauhahuauhauha
    É uma honra ter presenciado (quase, se não tudo) isso! :DD

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  3. Cara, eu ri litros. Disparar a pipeta como um míssil é muito Hardcore!

    Da até pena que a minha faculdade não vai ter química...

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  4. essa história do ar comprimido quase matou alguém, não? uhaeuheuheuaeuhueaauh

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  5. esse negócio da pipeta quase que eu acertei o meu amigo.
    ia ser extreme!
    hehe

    e olha que isso foi só os labs de química...
    ainda teve os labs de física, e a partir de agora estou tendo labs de engenharia

    imagina só o potencial "merdístico"

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  6. Espera,você come danoninho com catchup?Cara,isso ainda vai te matar,colega

    Quanto ao texto,com toda certeza foi o mais engraçado que você escreveu até agora

    Rí litros da parte do vidro sendo atirado como um míssil.Hardcore!!!

    Quanto a parte do tubo de ensaio queimado,minha reação provavelmente seria a mesma do teu colega

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