Desocupados que passaram por aqui

quarta-feira, maio 18, 2011

Peixe fora d’água



Meu plano era dedicar o texto dessa semana pra falar do HQ de “The Walking Dead”, só pra pegar o embalo do texto passado sobre zumbis.

Mas como o blog não é mais como antigamente, não vou ficar fazendo ligação entre textos. Quem se lembra dessa época?

E também por que aconteceu algo essa semana que me inspirou a terminar esse texto. Eu já tinha começado a pensar nele a uns tempos atrás, mas faltou inspiração. Mas agora a consegui.

O que aconteceu foi que essa semana (quinta feira) vai ter/teve (depende de quando eu postar o texto) um balada na faculdade. E não só uma “baladinha”, mas sim uma baita duma festa onde todo mundo vai.

Só pra ilustrar, será a “Festa do contrário”, onde homem se veste de mulher e mulher se veste de homem.

Meus amigos e amigas vão para essa festa. Já eu...bem...



Nunca fui muito chegado em baladas, ou qualquer coisa do gênero. Peguei essa mania nos meus 15-16 anos, época em que os amiguinhos iam tudo pras festas de 15 anos, fingir que já eram gente grande e ficar brincando de beber.

Enquanto isso eu preferia ir em shows, ou simplesmente ficar em casa jogando video game ou zanzando no computador.

O fato é que perdi essa etapa da vida, em que os jovens começam a se acostumar com as festas e a pegar gosto pela coisa. O resultado disso é que agora, mais velho, sempre que eu vou a alguma festa eu me sinto deslocado. Me sinto fora do meu “habitat”.

Sabe naquele programa do “Encantador de Cães”, quando o cara pega um cachorro acostumado a ficar dentro de casa e joga ele no meio de um bando de outros cães, e ele fica acanhado, de rabo baixo e cara triste?

É mais ou menos isso que acontece quando você joga esse Cão aqui numa balada. Eu fico todo encolhido, sem saber o que fazer, simplesmente por que tudo que se tem pra fazer em uma balada, eu não faço.

Primeiro por que eu não bebo. Absolutamente nada, nem champagne no ano novo, nem vinho em restaurante chique. Nem sei que gosto tem o álcool, nem imagino que efeito ele teria em mim. E pretendo nunca mudar isso.


E como todos sabem, qualquer tipo de festa, balada, churrasco, confraternização, “esquenta”, chopada e afins em uma faculdade é apenas uma desculpa para beber.

Aqui na minha faculdade o preço das festas varia entre 10 a 30 reais, e praticamente todas são open bar de pelo menos vodka e cerveja.

O resultado de festa barata + bebida a vontade é um bando de gente “muiiito doooida”.
E muita gente bebe pra conseguir “se soltar. Então dá pra imaginar que eu, sem beber, sou um ser naturalmente tímido. Não vejo problemas nisso, eu gosto da minha timidez, e dependo muito do meu juízo perfeito. E eu até que consigo aturar gente bêbada a minha volta (desde que não vomitem em mim).

Mas o problema é quando se é a única pessoa sóbria em um lugar. É nesses momentos que eu me acho mais excêntrico. Sinto-me um extraterrestre.

E o pior ainda é o que eu sempre uso pra explicar de por que eu saio cedo de festas: chega um momento em que você fica saturado de todo o clima da balada, quando você já está cansado, com sono, suado e mal-humorado. Quando se bebe, você vai se soltando, e cada vez vai bebendo mais. Esse ciclo faz com que os “alcoolizados” se tornem seres incansáveis da curtição, e só se cansam quando a bebida acaba ou quando expulsam eles do estabelecimento, o que geralmente é por volta das 4 ou 5 da manhã.


Mas quem não bebe não consegue manter esse ritmo, principalmente eu. Eu já estou em um lugar em que não me sinto a vontade, mas fica ainda pior quando eu estou com sono (e principalmente quando tenho que acordar cedo no dia seguinte). E um Henrique com sono não é um Henrique feliz.

Se eu chego numa festa umas 11:30 ou meia noite, quando chega 2 horas da manhã eu já estou passando a régua e querendo ir embora.

Mas, como eu disse antes, não é só a bebida que me mantém afastado da vida noturna.

O segundo fator é a mistura dança+música.


Eu não consigo dançar. E é triste quando eu tento. Parece que eu engoli um cabo de vassoura e não consigo me mexer direito. Tem gente que fala que eu danço bem, mas ou eles são loucos ou estão se divertindo às minhas custas.

Tá... Talvez eu consiga dançar, mas sozinho ou com público de no máximo 4 pessoas.

E sem contar que o que as pessoas fazem na balada é tudo, menos dançar.

ISSO que é dançar.

Dança, pra mim, é algo que tem que ter coreografia, uma “harmonia”. O que fazem em festas é ficar sacudindo de um lado pro outro, jogando os braços pra cima, ou se esfregando na pessoa mais próxima.

E eu me sinto idiota quando tento fazer isso. Não só me acho idiota, como acho os outros toscos também quando ficam fazendo isso.

E isso sem contar que 75% das músicas que tocam nas festas eu detesto.

Até que sou um fã de música eletrônica, mas só da música boa, e não aquelas que é só um “putchi putchi putchi putchi”, que não dá pra saber quando uma terminou e a outra começou.

E eu até tento arriscar fingir que estou dançando quando a música é boa. Mas agora só tocam sertaNOJO universitário nas festas. E nem que eu tentasse eu iria conseguir apreciar/dançar esse tipo de... coisa...


E juntando a ausência de álcool no meu sangue e o fato de eu não ser adepto do ritual da dança, temos o agravante principal do meu repúdio às festas: eu não “pego” nada, nem gripe. Suína. Em pleno inverno. Na ala de emergência. Nu. E comendo ranho...

Acho que juntar minha timidez natural, minha insegurança, minha falta de “ginga”, e minha inibição devido a não-presença de álcool no meu organismo faz com que eu não consiga abordar nenhuma garota.

E como não sou Brad Pitt, não sou convidativo às abordagens das garotas.

Junta a fome com a vontade de comer e eu nunca nem cheguei perto de ficar com alguém em balada (tudo bem que dá pra contar nos dedos de uma mão o número de vezes que eu fui em uma balada).

Mas não que eu faça questão de sair “pegando geral”. Não tenho nem a mínima vontade.

Sou um romântico incorrigível e antiquado, que prefere guardar demonstrações de afeto (seja beijo, seja amasso) para alguém que eu tenha pelo menos o mínimo laço emocional. Não sinto essa necessidade que as pessoas tem de TER que trocar saliva com meio mundo. Sem contar que em uma balada você não faz nem idéia de onde a boca da pessoa esteve, o que passou por lá, e o que fez lá.


Ou talvez o fato de eu estar encalhado a tanto tempo fez eu me acostumar á minha falta de mulher.

Mas estou só por escolha. (minha ou das outras? Vocês nunca saberão)



Mas não me entendam mal. Eu adoro sair com os amigos. De vez em quando eles até conseguem me arrastar pra “fora da água”.

Mas acontece que eu não gosto de coisas exageradas. Pra que ir numa festa com troscentas pessoas, ficar todo espremido, ter que falar gritando, pisar em gorfo e ficar surdo com música ruim? Qual o problema de só juntar um pessoal e ir num barzinho? Apesar de não beber, eu até aturo as idas a barzinhos, já que é possível ficar lá sentadinho de boa, conversando, dando umas boas risadas.

Até mesmo show, que é algo que eu adoro, eu prefiro quando é algo pequeno. Shows lotados em um estádio de futebol podem ser legais, mas sempre preferi shows em lugares menores (os “inferninhos”), num clima mais amigável.

Eu não gosto nem de cinema cheio!


Resumindo:
Não... Não vou na festa dessa quinta.


Vou ficar em casa enrolado no cobertor jogando video game, ou lendo um bom e velho Asimov.

Tenham um bom *putchi putchi* dia!

4 comentários:

  1. suhuhssahuuash coé, você ignorou sua companheira de sobriedade!!

    e não negue que você não dança música ruim... alguém gravou a coreografia de avassaladores24.wmv aUHSAUHSHUASUHASUhshuuhusah

    pior que a menina daqui de casa falou "nossa, o povo da engenharia tá acostumado a não ter namorado, né? seu caso?" e eu só concordei...não tinha como negar. XDD

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  2. Só sei dançar "Sou foda".

    E "backstreet is back"

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  3. VOCÊ SABE DANÇAR SÔFODA!?

    ++respect

    Mas na boa cara, as vezes parece que você está narrando a minha vida aí...

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