Desocupados que passaram por aqui

sexta-feira, março 11, 2011

Evolução musical


Gostei da minha menção a música no texto passado, e percebi que eu nunca escrevi decentemente sobre música.

O que é estranho, já que a música é uma parte grande da minha vida desde os meus 15 anos, quando decidi que queria aprender a tocar bateria.

Antes disso eu não tinha um gosto musical tão desenvolvido assim e não me importava tanto assim com música.

Agora sou viciado em barulho e não consigo ficar muito tempo em silêncio. Tenho uma necessidade quase biológica de ter que estar ouvindo alguma coisa.

Mas nem sempre eu gostei das mesmas coisas.

Já passei por várias fases e já gostei de quase todos os estilos musicais decentes que se tem noticia.
E tenho certeza que muitos de vocês passaram talvez pelas mesmas fases musicais que eu, talvez algumas a menos, ou outras a mais...

Mas o importante é que todos nós evoluímos musicalmente falando.
Já deixo avisado que nem todos seguem essa ordem de evolução, e muitos ficam estacionados em alguma fase, mas acho que esse meu esquema pode se aplicar a muitas pessoas.


A fase “esponja”


Essa com certeza é a primeira fase que alguém passa, pois ela só acontece na infância, quando você está aprendendo sobre as coisas do mundo, sobre o certo o errado, e absorve praticamente tudo que seus modelos (pais, irmãos, primos, tios) te passam.

Então, isso quer dizer que você vai ouvir qualquer coisa que as pessoas ao seu redor ouçam, e aí começa a expandir seu universo, e acaba escolhendo um estilo em especial como seu favorito.

Geralmente sua escolha vai se basear na escolha de quem tem mais influência sobre você (seu irmão mais velho ou seus primos, por exemplo), e aí você passa pra segunda fase do desenvolvimento.

No meu caso, foi uma fase negra que eu me arrependo...


A fase pagodeiro

 
 

É... Eu já fui pagodeiro.

Não me julgue! Eu sei que todos vocês já foram pagodeiros alguma vez na vida... E muitos ainda são!
Mas entenda que não estou falando desse pagode de hoje em dia (que eu vou chamar de “pagode universitário”, por que todo estilo musical tem sua vertente “universitário”) tipo Inimigos do HP e afins.

Estou falando de gostar de “Só pra contrariar”, “Os Morenos”, e seu ídolo ser o Belo...

Em minha defesa vou dizer que a culpa era do meu irmão e dos meus primos. Eu sou o caçula da família, e, como tal, eu ia no embalo dos outros.

E devo dizer que eu não era “pagodeiro praticante”. Como eu expliquei, só depois dos 14, 15 anos que eu comecei a gostar de musica, e eu digo que eu era pagodeiro simplesmente por que era necessário escolher algum estilo de música para dizer que é seu favorito.

Infelizmente eu tinha escolhido esse estilo...

Mas, graças ao Vahalla, essa fase não durou muito...


Fase “Red Hot Chilli Peppers”

 

Essa na verdade é uma fase de transição entre o pagode e o rock. (E não estou dizendo que RHCP seja parecido com pagode, pelamordedeus!)

Mas por que escolho chamar essa fase de “Red Hot Chilli Peppers”?

É só por que todo mundo já passou por uma fase em que RHCP era sua banda favorita. E como eles tem um mistura tão grande de estilos, a música deles acaba abrindo as portas para os outros estilos.

E agora muitas possibilidades irão se abrir, mas, como já mencionei, escolhi contar como foi a minha evolução...


E, aliás, ainda curto RHCP.


Fase metaaaal!!!

 

Putz fase irritante.

Essa é a fase em que todo pré-adolescente passa a achar Metallica a melhor banda de todos os tempos e a venerar o Bruce Dickinson como um deus, além de só usar roupas pretas de bandas e calças jeans rasgadas, e passa a tratar mal os pais.

Acho que essa fase do desenvolvimento musical das pessoas que fez com que os pais tenham tanto medo da adolescência dos filhos.

Sério... “Metaleiros” são chatos pra caramba.

Primeiro por que metaleiro só anda com metaleiro. Qualquer outro estilo de vida é visto com maus olhos, e eles comem pagodeiros no café da manhã.

Segundo por que os metaleiros estão no mínimo umas duas décadas atrasados.
Uma coisa é um cara de 30 e poucos anos vibrar ouvindo “Blind Guardian” desfilando com sua jaqueta maneira e seu cabelão de headbanger... Outra coisa totalmente diferente é um moleque de 13 anos tentando se passar por fã de metal.

Quando paro pra ver minhas fotos daquela época eu sinto vergonha de mim mesmo. Talvez mais do que da minha fase do pagode.

Depois que eu passei essa fase joguei fora praticamente todas as minhas camisas pretas.
Mentira... Guardei algumas, por que a próxima fase é tão ruim quanto essa...


Fase punk rock

 

Pior que um menino de 13 anos de fingindo de headbanger, é um de 15 anos nervosinho com o sistema.

Essa fase não faz o menor sentido.

Se você é um jovem “punk”, tudo e todos são seus inimigos: o sistema, seus pais, sua escola, seu trabalho, as grandes corporações, o dinheiro é ruim...

Você cita Karl Marx e Bakunin sem nem ao menos saber quem diabos são eles... Você acha que a anarquia é o único jeito de fazer o mundo ir para o lado certo, apesar de você não fazer a menor idéia dos princípios da anarquia...

E você também acha que parar de comer no Mc Donalds vai impedir o avanço dos porcos capitalistas, que a “Galeria do Rock” é o único lugar pra ver os amigos, e que quanto mais porco for o lugar, melhor o show...

E você pode jurar que cortar um cabelo moicano e ir numa festa de 15 anos da sua amiga usando um “All Star” rabiscado e com um suspensório vai fazer com que os outros fiquem chocados...

E me sinto envergonhado de que todos esse exemplos vieram de mim...

Pelo menos foi graças a essa fase que eu comecei a tocar bateria...

E essa fase prepara as pessoas pra seguinte...

Fase emo

 

Quando você percebe que sua luta contra o sistema não funciona, o que você faz?

Isso... Você chora...

Vou explicar que, da mesma forma que o meu “eu pagodeiro”, nessa fase eu não era um extremo praticante.

Eu não tinha uma franja escorrida na testa, não usava calças apertadas e não cortava os pulsos.
O máximo que eu fazia era usar cinto de rebites e boné de redinha, e ter um fotolog pra desabafos emocionais (não tão emocionais assim).

Mas, como eu mencionei num texto antigão aí, eu tinha uma banda que talvez alguns diriam que era emo, e fiz alguns show pra um público bem emo (já abri show do Nx Zero.. Imagina o nível da galera), com direito a gente chorando com as músicas.

Então vou dizer que eu presenciei em primeira mão essa febre emo, e já vi emos de todos os tipos: feios, medonhos, horrendos, nojentos, e até um ou outros “olháveis”.

Eu não sei como essa moda pegou tão bem. Os emos tudo pareciam iguais, e os que se diferenciavam assim o faziam por serem extremamente bizarros.

Acho que a moda emo acabou quando eles começaram a se olhar no espelho.

Só duas coisas de bom saíram dessa fase:
A minha banda (que acabou... infelizmente),


E as “emas”. Vai falar que não tinha umas “eminhas” bem bonitinhas hein, safadenho?


Fase “o que vier é lucro”

 

Eis que chegamos na última fase, que consiste simplesmente em ouvir qualquer coisa que dê pra ouvir.

Após passar por tantas fases diferentes você vai carregando o gosto através do tempo, e acaba tendo uma preferência musical bem abrangente.

Tem aquela galera que começa a gostar dos gêneros “universitários” (forró, sertanejo, pagode, rock...), outros vão pro reggae, outros viram uma versão mais light de metaleiros/punks...

E há certos tipos de músicas que não configuram uma fase propriamente dita. Por exemplo a música.eletrônica.

Músicas assim você acaba gostando paralelamente aos outros estilos..

Mas o ideal mesmo é ouvir de tudo um pouco.



Moral da história?

Eu não tive nenhuma fase “axézeiro/micareteiro”, graças ao bom deus.
Brrrr...


Tenham um bom, e variado, dia!

5 comentários:

  1. Gostei do texto, mas minha história musical é bem diferente. Eu primeirio comecei com minha fase esponja, passando a minha fase funkeira, depois minha fase pop, logo após minha fase pop quase rock, depois mnha odiável fase punk, seguida da minha fase rock, depois a minha fase indie e, finalmente, minha fase “o que vier é lucro”.

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  2. A minha foi o seguinte:

    Esponja

    Hip Hop (não foi tão ruim. Quer dizer, era patético ver um garotinho de oito anos falando "bolado", mas hey, eu comecei a gostar de Gabriel O pensador! Poderia ter sido pior.)


    Nada (teve um época que eu não ouvia nada, a única banda que eu sabia citar era Gorilaz)

    Classic rock (foi a fase que eu mais ouvi músicas, e foi nela que eu conheci as minhas bandas favoritas, tipo the beatles e the who)

    Rock progressista (nessa fase eu era um apreciador musical, eu colocava "magical mistery tour" e "Srgt Peppers Lonely Hearts Club band" pra tocar no fone de ouvidos e tentava captar todos os sons possíveis)

    O que vier é lucro (ou como eu gosto de chamar: eu gosto é de música boa. Essa fase começou quando eu me toquei que eu estava ouvindo Simon & Garfunkel em um minuto, The XX em outro e David Bowie logo depois)

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  3. Sensacional!!!!!

    lembro mto da bendita fase punk!!
    vcs eram insuportaveis!!
    SERIO!!!

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  4. que puta besteira vc escreveu pqp

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  5. Caramba... QUE EMOÇÃO!

    o primeiro babaca a comentar no meu blog!

    merece até um prêmio!

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