Desocupados que passaram por aqui

quarta-feira, novembro 24, 2010

Popularizando o gênero Geek


Lembra dos anos 80, 90, quando a Terra era jovem, Kinder Ovo era barato e ninguém tava nem aí pras gorduras trans?

Eram tempos mais simples, onde homens eram homens, mulheres eram mulheres, e nerds eram excluídos sociais que apanhavam de qualquer coisa com punhos.



Mas o tempo passou, o século virou, o novo milênio chegou e, mesmo o mundo sobrevivendo a dois “apocalipses” (virada de milênio e o negócio lá do Nostradamus) nós não passamos ilesos disso tudo. Algo de estranho e esotérico aconteceu, e o mundo virou de cabeça para baixo. Agora os nerds estão na moda, e o que antes era ridicularizado agora é algo cultuado.


O que aconteceu no meio do caminho?



Eu, particularmente, culpo a internet.



Tudo é sempre culpa da internet.


Quando a grande rede se popularizou, ou até antes disso, quem eram (e ainda são, claro) os maiores usuários dela? É claro que eram aqueles que não tinham uma vida social, que tinham repúdio às interações interpessoais, aqueles que passavam/passam/passarão/passarinho a maior parte do seu tempo em casa fazendo amizade com seu novo eletroeletrônico.

Ai quando o mundo internetistico se popularizou de vez, os nerds já o dominavam. E o mundo virtual tem um diferencial do mundo real: no virtual, as pessoas não precisam ter vergonha, não precisam se controlar, podem falar a vontade e essas baboseiras de mundo-livre-liberdade-de-expressão-vou-falar-o-que-eu-quiser. Então todos aqueles que antes eram os reclusos começaram a expressar suas idéias. E foi se espalhando, espalhando..


BAM!

E não é que apareceram, ahm, “simpatizantes”?


Um verdadeiro movimento GLS.





Geeks, Loosers e Simpatizantes.


HÁ!

Vocês não contavam com toda a minha destreza cômica.



*caham*

Seja por “conversão”, seja por mera aceitação, esse lifestyle acabou se espalhando. Os nerds não mais tinham que ter medo de sair pras ruas! – não que eles tenham saído de casa de qualquer jeito.

E aí a coisa desandou de vez.


Ainda na internet começou a aparecer os blogs *cof cof*, vlogs, podcasts, fóruns de discussão.. Tudo encabeçado por nerds (ou que se dizem nerds *cof cof*) o que trouxe ainda mais atenção. Agora, além de socialmente aceitos, os nerds começaram a atingir o status de “celebridades” (ainda to tentando). Somando-se a isso todas as formas de entretenimento cujo público alvo eram os nerds (já falo mais disso) que acabram se tornando incrivelmente populares, o estrago foi feito. Muitas pessoas começaram a adotar o estilo, como se fosse algo totalmente “in”.


Que formas de entretenimento?, você me pergunta..

E claro, que como bom anfitrião, eu respondo...


Primeiro teve os videogames, que sempre foi algo que os geeks meio que clamavam para si. Os videogames podiam ser algo até que bem popular antigamente, mas eram os nerds que realmente os idolatravam e consumiam de tudo que aquelas maquininhas tinham a oferecer. Ai, claro, chegaram os jogos casuais, e aquela aberração do Wii, abrindo um novo mercado consumidor para os games, e até atraindo mais gente para os outros tipos de jogos.



E não posso esquecer de mencionar as séries de TV.

É.


The Big Bang Theory.

Não tem muito o que dizer sobre essa série. Só que ela tornou totalmente “cool” ser um desajeitado social, catástrofe amorosa, paranóico, intelectualmente “superior”...

E sim. Adoro essa série.



E também vieram os quadrinhos e livros. Ou melhor, as suas adaptações hollywoodianas. Aí o território nerd foi invadido na base da coronhada na nuca. Não contentes em apenas popularizar aqueles HQs ou livros mais famosos (no nível Homem Aranha e Senhor dos Anéis), os estúdios tiveram a pachorra de utilizar as obras mais “cults” e “undergrounds”, como Watchmen, Sin City e essas coisas aí. Novamente, um público cada vez maior foi sendo atraído para esse universo.



E vou até comentar de um caso que me espantou, e que foi o catalisador (lado químico falando mais alto) pra eu escrever esse texto.

É o caso de Scott Pilgrim.


Vou admitir e dizer que eu não conhecia muito bem a série de HQ, ou que nunca nem me interessei por ela, até saber que ia sair um filme (e ver uns mil textos sobre Scott Pilgrim no blog do macaco ). E comecei a acompanhar.

Desde antes de começar a ler a HQ, eu já sabia que o público alvo era mais os nerds, geeks, loosers e simpatizantes. Mais especificamente o povo gamer. Eu nunca sequer imaginava que o filme fosse se tornar famoso, ainda por cima com todos aqueles efeitos exagerados e etc. eis que me enganei redondamente.

E só me toquei disso quando uma amiga minha, que tem tanto de nerd quanto eu tenho de muçulmano, e um outro amigo meu (super pseudo-cult, o tipo de pessoa que você nunca imaginaria batendo palma pra um filme desses) vieram e me disseram “Cara, esse filme é muito bom. Assista!”


COMO ASSIM?!


Um nerd (ou auto-proclamado) recebendo de dois..ahm.. “normais” dicas sobre cinema nerd?!


Sério.


Meu mundo acabou.



E é isso aí.


Todo esse texto foi só pra dizer isso, pra desabafar um pouquinho.


Considerando que estou escrevendo esse texto no meio de uma semana de provas finais, até que está bom.


Mas só volto em dezembro agora. E pretendo fazer algum especial de natal.


Se quiserem dar opinião, já sabem onde.

Tenham um bom dia!

6 comentários:

  1. Adorei o "super pseudo-cult" e as aspas em normais! Mas digo uma coisa:(?) antes de ser cinema nerd é cinema! E como (pseudo)cinéfilo achei o filme muito original. Não me considero nerd , contudo por conviver com nerds assumidos (hauahuah) acabei aprendendo a apreciar esse mundinho. E porra! eu gostava de jogos de luta quando criança!!!!

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  2. Mas afinal, eu não descobri... Você acha bom ou ruim esse fenômeno?

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  3. veja bem...

    nem um, nem outro.

    eu acho um fenômeno interessante.
    tem pontos positivos... e tem negativos...

    considero como uma transição na cadeia social...


    (falei falei e num disse nada)

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  4. eu ri...


    Ps.: só pra vc não reclamar de falta de coments rs

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